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Tião, o homem que mudou a história do Colégio João Maria de Barros

Sebastião Cades, de 48 anos, é casado com Maria, com quem tem três filhos e um neto (Foto: Francine Santos)

Aos 48 anos de idade, Sebastião Cades olha a sua volta e vê um ambiente que foi totalmente transformado pela sua influência: o Colégio João Maria de Barros, onde ele chegou há cerca de dez anos. Servidor público municipal desde o ano de 2002, Tião, como é carinhosamente conhecido, foi convidado a morar no pátio do colégio para ajudar a direção com os jovens e se tornou uma das maiores influências e referências do local.

Nascido no município de São João, no Paraná, ele veio de uma família de nove irmãos. Seus pais, Maria e Votorino (in memoriam), eram lavradores e depois de passarem por Pato Branco e Marau, no Rio Grande do Sul, chegaram à Campina, para trabalhar na fazenda do então deputado Quielse. “Quando chegamos aqui eu tinha 14 anos de idade. Fiquei trabalhando na fazenda com meus pais até os 18 anos, quando vim para o Santa Rosa. Depois de trabalhar em algumas empresas eu fiz o concurso para da Prefeitura e passei, com o cargo de vigilante”.

Cerca de 10 anos depois, ele foi requisitado para ajudar na quadra do Colégio João Maria de Barros. “Naquela época havia muitas brigas, e eu sempre fui muito conhecido por todos, por isso me convidaram para ajudar na quadra. Eu comecei a organizar amistosos entre os jovens de bairros diferentes, foi a maneira que encontrei de acabar com as brigas e mostrar que, se eles eram inimigos, era apenas dentro da quadra, no jogo”.

De certa forma eu ajudei a pacificar isso aqui”.

Segundo Tião, era uma época que o colégio passava por diversos problemas. “Os estudantes e jovens da localidade faziam muita bagunça e até quebravam o colégio. A direção não sabia mais o que fazer, estavam realmente desesperados, então me convidaram para ficar integralmente nas dependências do colégio, morar aqui. Antes de aceitar, eu fiquei uma semana só observando, quais era os reais problemas e se realmente eu poderia ajudar. Quando vi que eu poderia sim ajudar, aceitei o pedido”.

Ele conta que as soluções vieram em conjunto. “Eu comecei a identificar onde estavam os problemas, quem eram as pessoas mais problemáticas e me aproximei deles e da família. Foi dessa maneira, com conversa, amizade e paciência que os problemas de relacionamento dentro e ao redor do colégio acabaram. Com isso, hoje vivemos uma realidade totalmente diferente daquela de alguns anos. É uma escola muito tranquila, os professores fazem questão de trabalhar aqui”.

Outro feito que deixa Tião orgulhoso, é o Clube Atlético Rosário Campina, fundado por ele, há cinco anos, com o apoio do saudoso Orlando Rodrigues. “Orlando foi um incentivador e 15 dias depois que tivemos uma conversa sobre o time, ele estava montado. Em princípio, os jogadores eram alunos e professores do Colégio João Maria de Barros”. Essa foi mais uma tática de Tião para criar vínculos entre alunos, professores e os próprios jovens.

Cinco anos depois, o time é bicampeão da Copa Campina, Campeão da Copa Master e campeão da Smelj, de futsal feminino. “Além disso, o Rosário também participou da Copinha Quatro Barras nas categorias sub 9,11,13 e 15. Temos como técnico o Nilson Kolosh”.

Casado com a Maria, pai de três filhos, Michel, Alisson e Gustavo e avô do João Vitor, ele diz que ver que todo o trabalho realizado no colégio deu certo, é algo gratificante. “Pra mim é um orgulho. De certa forma eu ajudei a pacificar isso aqui. Um ambiente que hoje me sinto parte, algo que realmente é a minha vida”.