Campina Grande do Sul

Recorde: Hospital Angelina Caron realiza sete transplantes em 24 horas

Num mesmo dia, Central de Transplantes da instituição realizou três procedimentos de fígado e quatro de rim. Número é raro no país mesmo em tempos normais, pois envolve técnica e equipe capacitada.
"Tivemos uma queda na doação de órgãos porque os pacientes ficam em UTIs e agora as unidades estão sendo disponibilizadas aos pacientes com a Covid-19. Felizmente, aconteceu e foi um sucesso”, celebra João Nicoluzzi, médico responsável pela Central de Transplantes do hospital

Em meio a tantas notícias pesadas no dia a dia médico hospitalar de enfrentamento da Covid-19, uma boa nova chega de Campina Grande do Sul: em 24 horas, a Central de Transplantes do Hospital Angelina Caron (HAC) realizou sete transplantes, sendo três fígados e quatro rins. Até então, o ‘recorde’ da instituição havia sido seis órgãos num mesmo dia, “isso em tempos normais”, conforme relata o médico responsável pela central, João Nicoluzzi.

“Foram três fígados e quatro rins em 24 horas, no dia 15 de julho. Poucos locais do mundo têm capacidade técnica e equipe para realizar tantos transplantes em pouco tempo, ainda mais em tempos de pandemia. Tivemos uma queda na doação de órgãos porque os pacientes ficam em UTIs e agora as unidades estão sendo disponibilizadas aos pacientes com a Covid-19. Felizmente, aconteceu e foi um sucesso”, celebra.

TESTAGEM DE COVID-19

Os órgãos vieram da região de Londrina e Apucarana e foram ofertados ao Caron pelo Sistema Estadual de Transplantes do Paraná. “Nos preparamos com o protocolo de proteção e testagem de Covid-19, tanto nas pessoas que recebem os transplantes, quanto nos profissionais envolvidos na cirurgia. Isso deixa o ambiente o mais seguro possível dentro das possibilidades atuais”, explica Nicoluzzi.

MARCO HISTÓRICO

O médico relata ainda que o fato de poucos hospitais no Brasil realizarem esse volume de transplantes se deve à logística envolvida no processo. “Seguramente, poucos hospitais no país possuem salas e logística disponíveis para realizar tantos procedimentos em um mesmo dia, especialmente operações de fígado, que duram de cinco a seis horas. Para comparação, o transplante renal costuma levar duas horas. Ou seja, quando falamos de transplantes hepáticos, é mais complicado e envolve uma equipe maior”. Agora, a luta é para que esses pacientes transplantados se reestabeleçam bem e voltem para suas casas com saúde.

REFERÊNCIA EM TRANSPLANTES

Segundo dados de 2019 da Central de Transplante do Paraná, que divulga anualmente o compilado estadual, o Caron realizou 233 transplantes no ano passado, mantendose como a instituição com mais procedimentos feitos no estado. O desempenho é resultado das ações continuadas contra a desinformação e alguns temores que ainda envolvem a doação de órgãos. “Os resultados anuais são reflexo das ações para a conscientização e reflexão das famílias. A doação de órgãos ainda é um assunto tabu na sociedade, já que os números sempre podem melhorar. Precisamos continuar sensibilizando a população para a necessidade da doação de órgãos e mostrar quantas vidas podem mudar”, afirma o médico.

O Caron realizou 233 transplantes no ano passado, mantendo-se como a instituição com mais procedimentos feitos no estado.

A quantidade de transplantados pelo HAC representa 13% dos procedimentos realizados em todo o estado em 2019. Entre os órgãos de maior ênfase no hospital estão pâncreas/rim: dos 16 casos no Paraná, nove ocorreram no Caron (56%). Qualquer pessoa pode doar órgãos. Para doadores vivos, é preciso concordância e que não prejudique sua saúde. Pessoas em vida podem doar um dos rins, parte do fígado, do pulmão ou da medula óssea. Já para doadores falecidos, é necessário que seja constatada morte encefálica e que ocorra o consentimento da família.