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No Bar do Nereu ou no transporte escolar, ele dedicou a sua vida a Quatro Barras.

Natural de Vacaria, no Rio Grande do Sul, Nereu Debovi é uma figura carimbada de Quatro Barras há muitas décadas. Da empresa Eternit, do bar do Nereu ou do transporte escolar, todos conhecem o homem que formou sua família e criou seus filhos com muito trabalho e dignidade.

“Quando eu tinha nove anos, meus pais decidiram sair de Vacaria para morar em Lages-SC. Lá, eu fiquei até os meus 17 anos, quando decidi, com meu irmão, morar em Curitiba, pois todos diziam que a capital paranaense era boa, enquanto Lages, até então, era apenas uma cidade do interior. Ficamos pouco tempo em Curitiba e logo nos mudamos para o Jardim Paulista, em Campina Grande do Sul, onde também ficamos apenas alguns meses. Então, fui servir o Exército”. Quando voltou, Nereu trabalhou na empresa Eternit por 12 anos e escolheu Quatro Barras para fixar residência, onde está até hoje.

Aqui ele conheceu a esposa, Vilma Taborda Quintino Debovi, com quem teve quatro filhos: Francisly, Fernanda, Felipe e Franciele. “A minha sogra, Valquíria, criou os seus três filhos com a renda do bar, que ela abriu em 1976, aqui no mesmo lugar, no Menino Deus. Foi um dos primeiros comércios da região, as pessoas faziam fila às 6h da manhã para comprar leite e pão, e ela vendia de tudo, até alfinete”, brinca Nereu.

Em 1989, depois que se desligou da Eternit, ele assumiu o estabelecimento, que hoje funciona apenas como bar. “Eu tenho vários clientes fieis, que frequentam o bar há muitos anos, alguns até décadas, como o Silvano, o Alcides, o Maurão e tantos outros. Ali já vivemos muitas histórias, mas uma engraçada, que ficou marcada na memória, foi numa ocasião de uma abordagem policial, em que um cliente tinha um cachorro, que sempre estava com ele, e quando os policiais mandaram encostar na parede, o cachorro também encostou e todos caíram na gargalhada. Nunca esquecemos”.

Para Nereu, fechar o bar é uma ideia remota. “Eu não sei se meus filhos vão querer dar continuidade ao bar, mas eu estarei aqui até não conseguir mais, pois não é meu trabalho, é lazer, é onde converso com os clientes e amigos e vivo tantas histórias boas, pois nunca presenciei momentos ruins aqui, nunca tive problema”.

Além do bar, Nereu manteve um transporte escolar para o Colégio Dom Orione, por muitos anos. “Eu cheguei a transportar até a terceira geração e isso é muito gratificante, ter o trabalho reconhecido e ser conhecido por tantas pessoas com tanto carinho. Mas, decidi parar para descansar um pouco e continuar apenas com o bar”.