Nossa Gente

Mais de cinco décadas de serviços prestados a Campina Grande do Sul

Professora, ela dedicou grande parte de sua carreira à sala de aula. Também fundou a banda marcial, abriu uma escola particular, organizou bibliotecas e dirigiu um projeto de contações de história
Irene foi a fundadora da banda marcial do município (Foto: Francine Santos)

A professora Irene Cordeiro Hathy – formada no Magistério, graduada em Educação Artística e Música e pós-graduada em Educação Infantil e Gestão Pública –, que se aposentou no último dia 15, finalizou sua carreira como servidora da Prefeitura de Campina Grande do Sul depois de mais de 50 anos de serviços prestados ao município. Durante todo esse tempo, ela se dedicou ao setor administrativo, à sala de aula e, principalmente, à cultura, quando fundou uma banda marcial na cidade e, mais tarde, foi responsável pela organização de várias bibliotecas e pela contação de história em colégios do interior.

Irene nasceu aqui mesmo, na região do Taquari. É a filha mais velha das cinco meninas de Ernestina Simioni (in memoriam) e Arthur Alves Cordeiro (in memoriam). Seu pai era expedicionário de guerra e, além de trabalhar na lavoura, ajudou muitas pessoas no município – fazendo até caixão para enterrar os mortos – e foi vereador por quatro anos. “Eu comecei a trabalhar cedo, com 16 anos eu era secretária na prefeitura, ainda na época do primeiro prefeito, depois que o município se emancipou. Era um tempo totalmente diferente, na prefeitura mesmo havia somente oito funcionários. E, neste início, eu passei por vários setores administrativos, onde fiquei por 11 anos”.

“Comecei a trabalhar na prefeitura na gestão do primeiro prefeito depois que o município se emancipou”.

Ela saiu do setor administrativo para assumir a sala de aula em 1978, quando passou no concurso público do Governo do Paraná. “Eu sempre atuei como professora aqui na cidade, era um período trabalhando pelo Estado e outro pelo município”. Além de professora, ela foi durante diretora do então colégio Campos Sales por dois anos.

No ano de 1987, Irene e o esposo, Iraja de Jesus Hathy (in memoriam), fundaram uma banda marcial no município. “Nós fizemos curso de fanfarra no antigo Cefet, em Curitiba, e comandávamos a banda, que tinha a participação de alunos e alguns servidores municipais. Nós participamos de vários desfiles importantes nas cidades vizinhas e na capital”.

Quando se aposentou pelo Estado, no ano de 1995, e ficou dando aula apenas meio período, sentiu a necessidade de fazer algo a mais. “Foi aí que eu abri a minha escola, que se chamava Paulina Ribeiro, uma homenagem à avó do meu esposo, que também tinha sido professora e maestrina no município”. A Escola Paulina Ribeiro atendia crianças de 3 a 6 anos de idade, foi fundada em 1998 e fechada 10 anos depois.

Além de toda a sua dedicação à profissão, Irene se dedicou há vários projetos com voluntária, entre eles: na fundação do Colégio Graciosa, onde realizou trabalho voluntário por cinco anos; na organização da Biblioteca Municipal da Sede; na organização da Biblioteca Jacó Maschio, no Jardim Paulista; na fundação e organização da Biblioteca da Praça do Céu e na organização e fundação da Biblioteca do Instituto Andres Kasper. “As bibliotecas foram trabalhos que eu me dediquei realmente com muito afinco, foi algo muito especial na minha vida, que sempre fiz com maior amor”.

Nos últimos anos, ela saiu da sala de aula para se dedicar à contação de histórias. “Eu percorri todo o município, principalmente as escolas rurais, com o projeto de contação de história, a última foi no José Eurípedes”. Essa é uma das coisas, que mesmo aposentado, Irene afirma que irá continuar. “Enquanto eu tiver saúde vou continuar com a contação de história, pois eu amo a arte, amo desenvolver as histórias e confeccionar os materiais usados nas apresentações”.

Sempre ativa na sociedade, Irene tem o costume de visitar os doentes e ajudar as pessoas mais necessitadas. Como hobby, ela participa do coral da igreja que frequenta e das atividades culturais ofertadas pelo município: yoga, violão e ginástica.

“Eu gosto de lembrar que eu vim do nada, de uma família muito humilde, e posso dizer que venci. Fui casada por 30 anos, até meu esposo falecer, tive um filho, Danny, que me deu uma neta, Sarah, e uma nora. Construí a minha casa com o meu salário e hoje tenho para ajudar quem precisa. Sou muito agradecida a Deus pela vida que me proporcionou viver. Agora, aposentada, um dos meus maiores objetivos é viajar bastante e conhecer lugares diferentes”.