Campina Grande do Sul

Com tudo pronto, equipe do Caron aguarda um doador compatível para realizar primeiro transplante de pulmão do Paraná

O procedimento passa pelo desafio inicial: a doação pela família dos órgãos do ente falecido.
O médico Frederico Barth é o responsável técnico do Serviço de Transplante Pulmonar do HAC (Foto: Assessoria de Comunicação)

Há dois anos a equipe de transplante pulmonar do Hospital Angelina Caron (HAC) começou a se organizar para a realização do primeiro transplante de pulmão do Paraná. Desde então, segundo o responsável técnico do Serviço de Transplante Pulmonar do HAC, o médico Frederico Barth, foram vários os processos para que o hospital e toda a equipe estivessem aptos a realizar o procedimento e os pacientes, preparados para a cirurgia. Atualmente, há dez pacientes listados aguardando um doador compatível para o transplante. 


Conforme Fred, o transplante pulmonar é complexo, uma vez que são vários os fatores para a sua realização. “Ele divide o desafio inicial de qualquer outro transplante, que é a doação pela família dos órgãos do ente querido falecido. Mas apresenta algumas particularidades que são fundamentais para o sucesso após o transplante, pois não é necessária somente a compatibilidade sanguínea, mas os pulmões doados não podem estar com sinais de infecção ou indícios de lesões por trauma. Além disso, devem ser compatíveis em tamanho com o receptor. São detalhes fundamentais, por isso a importância da conscientização e busca no aumento das doações de órgãos no Brasil”. 

Há dez pacientes aguardando um órgão compatível.

Fred explica que para que o procedimento pudesse ser realizado no HAC, além dos processos junto ao Ministério da Saúde, foi realizado o treinamento de pessoal e a capacitação hospitalar, bem como aquisição de materiais específicos e necessários para o transplante pulmonar, período que durou alguns meses, desde o ano de 2017, e um grande empenho de todos no hospital. “Após o credenciamento iniciou o ambulatório de consultas para avaliação dos pacientes com doença pulmonar grave. Consequentemente, possíveis candidatos ao procedimento e com indicação para aguardarem o transplante de pulmão. Esses pacientes, após avaliação ambulatorial, foram internados no hospital onde realizaram novos exames e foram reavaliados pela equipe multidisciplinar do hospital (médicos, enfermeiros, nutricionistas, psicólogos e fisioterapeutas)”. 


A lista de pacientes aptos a receber o transplante foi iniciada em fevereiro. “Atualmente temos dez pacientes aguardando para realizar o procedimento. Essas pessoas moram próximas ao hospital, para que seu deslocamento seja o mais breve possível. Elas também têm o acompanhamento regular da equipe médica e realizam a reabilitação respiratória com nossas fisioterapeutas semanalmente. O critério para escolha do receptor é por tempo de espera, e também por critérios de compatibilidade sanguínea e tamanho do doador/receptor. As equipes de transplante do hospital estão sempre de prontidão, esperamos sempre uma doação para que possamos propiciar esperança e qualidade de vida para nossos pacientes”, ressalta o médico. O tempo médio no Brasil de espera para o transplante de pulmão é de 12 a 18 meses.


Dados da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO) mostram que, neste ano, foram realizados 27 transplantes pulmonares no Brasil, sendo 18 no estado do Rio Grande do Sul e 9 em São Paulo. “Esse é um número representativo, mas muito pequeno comparado à população brasileira, que passa de 200 milhões de habitantes”, lembra.